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Termos que ficaram “na moda” por causa da crise
“Subprime”. Quando a palavra surgiu no vocabulário do brasileiro, poucos sabiam o que significava, e o pior, o que ela viria a representar para o mundo. Pouco a pouco, começou a ser melhor entendida, mas aí vieram termos como “baixas contábeis” e “alavancagem”.
Foi então que os investidores mundiais se deram conta do que estava por vir e, então, passaram a ser abordados termos como “fly to quality”, “bull e bear market” e “swap”.
Atentos a tudo isso, os bancos centrais de todo o mundo reagiram, afinal, era preciso garantir um “colchão de liquidez”, termo usado muitas vezes pelas autoridades monetárias brasileiras. Nos Estados Unidos, o “teste de estresse” foi o que ganhou notoriedade.
Termos que estão “na moda”
Diante de todos estes termos, é fácil perceber que a crise não só inovou pela forma rápida como se espalhou, mas pelas palavras que passaram a ser usadas em todo o mundo. Para saber se você está mesmo ligado no que está acontecendo ao seu redor, confira abaixo os principais termos usados, bem como a definição:
Alavancagem financeira: uma pessoa está alavancada financeiramente quando gasta mais do que ganha. Já um investidor está na mesma situação quando investe mais do que tem de patrimônio, usando produtos do mercado financeiro, como os derivativos. Já os bancos estão alavancados quando seus ativos não compensam o pagamento dos recursos tomados por eles. Neste último caso, a alavancagem é a relação entre os recebíveis e o patrimônio dos bancos.
Alavancagem operacional: o termo é usado em finanças para descrever a capacidade que uma empresa possui de usar ativos, ou recursos com um custo fixo, com o objetivo de aumentar o retorno aos seus acionistas.
Baixa contábil: ela acontece quando se usa o patrimônio para compensar um calote, bem como quando se revisa o valor de um ativo em carteira e se assume perdas no balanço contábil;
Bear Market: seja qual for a verdadeira origem dos termos bull e bear, o fato é que eles já são pronunciados por investidores há quase três séculos. A expressão bear é usada para descrever uma situação em que o mercado recua progressivamente ao longo do tempo e os investidores são motivados a vender suas posições, a fim de evitar prejuízos ainda maiores.
Bull Market: utilizado para descrever um mercado em que os preços dos ativos aumentam mais rapidamente do que é típico. Esta situação normalmente envolve um grande volume de investidores otimistas e dispostos a comprar ativos.
Chapter 7: no Brasil, a legislação define falência como “processo que, pelo afastamento do devedor de suas atividades, visa a preservar e otimizar a utilização produtiva dos bens, ativos e recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa”. O similar encontrado na lei norte-americana à falência encontra-se no Capítulo 7 do “bankruptcy code” (código de falências), que prevê liquidação dos ativos de uma empresa a ser determinado pela justiça, depois de pedido de credores.
Chapter 11: a mais complexa das formas de recuperação judicial prevista pela legislação dos EUA está contida no Capítulo 11 de seu código de falências. Não por acaso, é apontada como uma maneira para proporcionar às empresas um novo começo. Entre suas disposições, está a reorganização do quadro societário da empresa, o que permite a transformação de credores em acionistas, por exemplo. Ademais, existe a necessidade de aprovação de plano para recuperação apresentado pela companhia, algo que deve ser seguido à risca. O pedido de recuperação com base no Capítulo 11 é apontado como o mais difícil e caro, sendo considerado por muitos como o último passo de uma empresa, o que denota a dramaticidade da petição realizada pela General Motors junto à justiça do estado de Nova York.
Colchão de Liquidez: formar um colchão de liquidez é estar protegido quando houver um choque de liquidez;
Concordata: acordo entre o falido e os seus credores, prescindindo credores da liquidação, e obrigando o falido ao pagamento dos débitos em determinado prazo, e com redução na quantia devida.
Fly to quality: o conceito de fuga para a qualidade (fly to quality, em inglês) há tempos não ganhava tanta projeção. Ele significa que, num cenário de crise, os investidores vão em busca de aplicações de menor risco, como os papéis do Tesouro norte-americano.
Injeção de capital: concessão de dinheiro para capitalizar um banco, uma empresa ou até uma economia.
Ponzi: Em 26 de dezembro de 1919, Charles Ponzi, corretor italiano radicado nos EUA, abriu a The Securities Exchange Company, prometendo taxas de retorno de 50% em 45 dias ou 100% em 90 dias através de cupons-resposta internacionais. A ideia surgiu quando Ponzi percebeu que um cupom-resposta comprado na Espanha custava um sexto do valor nos EUA. Dessa forma, Ponzi armou um esquema que daria um bom retorno: enviar dinheiro aos países onde o cupom era mais barato e trocá-los nos EUA. Porém, devido aos longos prazos das operações, isso mostrou-se inviável logo no início. Assim, Ponzi começou a pagar os retornos dos cupons em vencimento com o dinheiro dos novos investidores, o que deu origem à fraude que atualmente leva seu nome. A fraude de Ponzi durou exatamente sete meses, sendo que, em 26 de julho de 1920, devido à insistência das autoridades, o corretor parou de aceitar depósitos dos investidores. Ele foi preso em 13 de agosto de 1920. Embora não tenha sido o primeiro a utilizar o esquema, o prejuízo criado por ele foi tão grande que a fraude acabou levando seu nome.
Sell in may: Na corrida por conseguir acompanhar o timing do mercado, maio sempre foi um mês de grandes decisões para os investidores norte-americanos. Lá, existe a famosa máxima “sell in may and go away” (venda em maio e vá embora, na tradução livre), que sugere resumidamente vender todo o portfólio, tirar férias e esquecer do mercado acionário.
Subprime: O termo subprime refere-se aos empréstimos de alto risco dentro do setor imobiliário dos EUA. Para a obtenção de crédito neste segmento, anteriormente exigia-se uma série de pré-requisitos – comprovação de renda, emprego, fiador… -, o que restringia o crescimento do mercado. Algumas instituições financeiras, portanto, passaram a se especializar na concessão de crédito destinada a clientes que não preenchiam estas exigências, saindo do mercado prêmio (prime) e formando o subprime. Como não atende os pré-requisitos, tal tipo de crédito responde por um grau de risco mais elevado, sobretudo quando se considera a vertiginosa expansão pela qual ele passou.
Swap: termo usado no mercado financeiro para contratos que estabelecem a troca de risco. Existe o swap cambial, em que o Banco Central procura compensar a alta do dólar, remunerando os contratos com a variação da moeda norte-americana. Em troca, quem compra tem de pagar juros de mercado ao Banco Central.
Teste de estresse: ação do tesouro dos EUA que forneceu uma estimativa inicial das necessidades de capital para que cada banco permaneça apropriadamente capitalizado mesmo se o cenário mais adverso se materializar.
V, U ou L: forma de recuperação da economia, sendo a primeira “forte e rápida” a segunda “longa e demorada” e a terceira, “praticamente uma depressão”.
Fonte: InfoMoney
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